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Artigo 37:Tributação, padronização e conectividade estão entre as barreiras para M2M


 

Roberta Prescott – 20/12/2013

Embora sejam altas as expectativas para uma ampla adoção da Internet das Coisas (IoT, na sigla em inglês), há ainda barreiras importantes a serem ultrapassadas. Os desafios incluem mais qualidade na conectividade, padronização das tecnologias e um modelo de tributação que não iniba o desenvolvimento deste mercado.

Atualmente, cada dispositivo de máquina a máquina (M2M) é contabilizado como um acesso móvel, obrigando as operadoras a recolherem o Fundo de Fiscalização das Telecomunicações (Fistel), o que encarece o custo de conexão. O setor espera a aprovação do decreto que reduzirá a taxa do Fistel sobre as operações M2M.

O projeto já aprovado no âmbito do Ministério das Comunicações prevê a redução do tributo de R$ 26,83 para R$ 5,68, mas a medida ainda não tem o aval da Presidência da República.

José Alexandre Novaes Bicalho, da Anatel, reconheceu, em painel durante o último Futurecom, que o modelo de negócios de M2M possui caráter diferente do Serviço Móvel Pessoal (SMP) e que o crescimento desse segmento depende de adequações da regulamentação.

“A regulamentação do SMP é complexa e não faz muito sentido para M2M, como a parte de atendimento ao usuário final e a de indicadores de qualidade”, avaliou Bicalho. Outra avaliação que a agência está fazendo é com relação à numeração dos terminais e às políticas de roaming.

Conectividade em xeque

Confiabilidade das redes de telecomunicações e uma cobertura mais abrangente são outros fatores que podem inibir a evolução da comunicação máquina a máquina. Luís Minoru Shibata, da PromonLogicalis, destacou a necessidade contínua de as operadoras investirem cerca de 20% do faturamento em infraestrutura de rede.

Além disto, a burocracia para implantar redes e, principalmente, antenas atrapalha o processo, tornando a vida das telcos mais difícil. Sobre estes temas, Bicalho ressaltou que a Anatel e o governo estão bastante comprometidos para ampliar a cobertura de telecomunicações no País. Ele citou que isso foi levado em conta para o cálculo dos preços mínimos dos leilões — o que deve se repetir nos próximos editais.

Jesper Rhode, diretor de inovação da Ericsson, lembrou que ainda estão em implantação tecnologias que conectam de três a cinco vezes mais dispositivos comparadas com as que temos atualmente. “Hoje, as redes são voltadas para celulares e smartphones, e este tipo de conectividade não será necessário para conectar batimentos cardíacos ou monitores. É preciso desenvolver outros tipos de conectividade e outros planos para adaptar ao padrão de uso”, disse em entrevista ao Convergência Digital.

De acordo com a explicação de Rhode, as redes de Long Term Evolution(LTE) farão parte deste ecossistema, mas estarão voltadas para alguns tipos de negócio ou de uso, aqueles que demandarem maior banda e/ou uma conexão mais rápida. Há, no entanto, diversas outras aplicações de coisas conectadas que não necessitam de tanta banda ou conectividade. “Não é necessariamente a LTE que vai atender [a este mercado]. Isto vai depender da utilização do dispositivo que será conectado.”

Padronização

Quase caminhando à margem da conectividade e da regulamentação, a padronização tecnológica se faz necessária para permitir que vários dispositivos — e de fabricantes distintos — se comuniquem. A chamada interoperabilidade é uma barreira a ser transposta.

“A tecnologia continua evoluindo, mas ainda falta uma série de padrões de segurança, integração e dados. O que já existe são protocolos mais apropriados para cada uso, como transmissão por Wi-Fi e bluetooth”, explicou Elia San Miguel, do Gartner, em entrevista ao Convergência Digital. A padronização e como a informação vai ser manipulada, disse ela, são áreas que ainda não estão definidas, mas que já mobilizam os interessados em fazer dinheiro com a Internet das Coisas — os fabricantes (leia box).

Modelo de negócios

Outro fator a ser levado em conta para a massificação das conexões entre máquinas é o modelo de negócio. Nesse cenário, as telcos estão firmando parcerias com empresas de diversos setores de modo a ter no portfólio soluções voltadas a variadas verticais, como transporte e saúde.

Um desdobramento disto é o modelo de precificação a ser adotado, porque, como ressaltou Mauro Fukuda, da Oi, em painel realizado no último Futurecom, quando se fala em M2M, há um tráfego pequeno em volume e por um curto intervalo de tempo — e isto difere do que existe atualmente, uma precificação baseada em consumo.

A Telefônica Vivo, de acordo com Eduardo Tadeu Takeshi Ohmachi, já está experimentando alguns modelos voltados para o público corporativo, tanto em aplicações B2B (business to business), quanto para B2B2C (business to business to consumer). Neste último modelo, entram, por exemplo, as incorporadoras que compram soluções de casa digital para revenderem a seus clientes.

Para Luis Cabral Azevedo, da CSG International, a colaboração entre os players é fundamental. “São necessários investimentos em infraestrutura e auxílio do governo na regulação e no modelo tributário”, salientou.

Um padrão para chamar de nosso

Fabricantes unem-se pelo projeto AllSeen Alliance

Num mundo conectado, a interoperabilidade é fator chave para o sucesso. Mais do que falar em sistemas conectados, é preciso aplicá-los em ações cotidianas e na vida real. Não à toa, os fabricantes endossaram, no começo de dezembro, o projeto AllSeen Alliance, apoiado pela Fundação Linux, e que conta com a participação de Cisco, D-Link, Haier, LG Electronics, Qualcomm, Panasonic e Sharp.

O AllSeen Alliance está ligado ao AllJoyn, software criado pela Qualcomm, que cedeu o código-fonte à aliança de fabricantes. Na prática, o AllJoyn permite que os sistemas possam descobrir, conectar e interagir uns com os outros, naturalmente, independentemente do seu fabricante ou do sistema operacional que estejam usando, explicou a Fundação Linux.

O framework é executado em plataformas de software, tais como Linux, Android, iOS e Windows, incluindo variantes embutidas. Os desenvolvedores podem baixar o código e os detalhes de suas APIs no site www.allseenalliance.org para começar a trabalhar com ele, disse ainda a Fundação Linux. O sistema permite comunicação via Wi-Fi, meio elétrico (PLC) ou Ethernet, e o software roda em plataformas baseadas em Linux (como os sistemas móveis Android e iOS) e Windows. 

Fonte: http://convergenciadigital.uol.com.br/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=35682&sid=85#.UyH6xvldVWg

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